29 de junho de 2005

O ÚLTIMO ESPECTÁCULO

Hoje e amanhã são os dois últimos espectáculos da peça. Tudo chega ao fim.
Foi levantada do nada apenas pela vontade; primeiro a minha e depois dos que aceitaram puxar as cordas, os olhos no céu e o padrão que se ergue em contrapicado.
Um anónimo, depois de ir encher a mula na estreia, foi para casa e escreveu-me um hate-mail. Não lhe pude responder, por ser anónimo, teria preferido que expressasse a sua opinião ao vivo e em directo, ou pelo menos que tivesse a coragem de assinar. Antecipava, ele/ela, com gozo de que os actores representariam quase sempre para um público reduzido. Não se enganou de todo, houve dias muito fracos. Noites em que as pessoas preferiram as pipocas do Optimus Open Air, ou algum programa fácil na televisão. O que não sabe é que as pessoas têm todo o direito a ir ou a não ir ao teatro. E que nem me admira que não vão em massa. Os portugueses imaginam-se incapazes de produzir alguma coisa de interessante; não confiam em si, nem nos outros. Preferem a banalidade de uma cópia de Hollywood a uma comédia portuesa, contemporânea, que lhes dê mais do que o esquecimento. Sim, há bluff por todo lado, sobretudo apoiado pelos dinheiros públicos. Mas nem tudo é bluff. Nem tudo é exercício para o umbigo ou para os 2 neurónios.
Temos é de fazer o que não nos ensinam na escola: a escolher; a distinguir o bom do mau.